Quake fez 30 anos e continua ensinando uma coisa simples
Quake completou 30 anos.
Trinta.
Só de escrever isso eu já começo a pensar na velocidade com que o tempo passa. Um jogo que ajudou a definir o tiro em primeira pessoa 3D agora é mais velho do que muita gente que está começando a criar conteúdo sobre games.
Para comemorar, a Bethesda, a id Software e a MachineGames lançaram Dawn of the Machine, um episódio novo e gratuito para quem já tem Quake. São 19 mapas de campanha, trilha inédita e mais um mapa de Deathmatch.
O detalhe mais interessante não é a quantidade.
É o fato de ainda existir vontade de criar dentro daquele jogo.
Quake não precisa fingir que foi lançado ontem. As texturas são simples, os inimigos têm movimentos que entregam a idade e a história cabe quase inteira em uma frase. Mesmo assim, quando o ritmo encaixa, ele continua funcionando.
Você entra em uma sala, escuta um barulho estranho, procura munição, encontra um corredor que não deveria estar ali e, de repente, está correndo enquanto tenta não virar comida de monstro.
É direto. E é justamente essa a lição.
Às vezes a indústria parece tão preocupada em mostrar reflexo na poça, pelo individual e mapa gigantesco que esquece da sensação básica de jogar. Quake nunca precisou de uma cidade com duzentas atividades. Ele precisava de velocidade, armas boas e fases que dessem vontade de explorar.
Não estou dizendo que tudo antigo é melhor. Também não vou bancar o jogador raiz que rejeita qualquer novidade. Gosto de jogo bonito, mundo aberto e tecnologia nova.
Só acho saudável lembrar que gráfico envelhece mais rápido do que uma ideia bem executada.
Talvez por isso Quake ainda receba mapas depois de três décadas. A base é simples o suficiente para ser entendida e forte o bastante para continuar divertida.
Isso também vale para quem cria conteúdo.
Nem sempre precisamos da câmera perfeita, do computador mais caro ou do efeito mais moderno. Se a ideia for boa e houver vontade de fazer, já existe algo para construir.
Quake passou 30 anos provando isso do jeito mais barulhento possível.
A fogueira hoje fica acesa em respeito a um dos jogos que ajudaram a abrir o caminho.

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