O Game Pass resolveu um problema e criou outro
Durante muito tempo, o maior problema de quem gostava de videogame era o preço para ter acesso aos jogos.
Hoje, com serviços como o Game Pass, uma parte desse problema diminuiu bastante. Pagamos a assinatura, abrimos o catálogo e existe uma quantidade absurda de coisas disponíveis.
É ótimo.
E também é uma armadilha. Rsrs.
Quando eu comprava ou alugava um jogo por vez, existia um compromisso maior com aquela escolha. Mesmo que a primeira hora fosse lenta, eu continuava. Aprendia as mecânicas, entendia a história e dava tempo para o jogo mostrar o que tinha.
Agora basta uma missão cansativa para surgir aquela voz: “Tem mais duzentos jogos ali. Troca logo.”
E eu troco.
Baixo um, jogo vinte minutos, lembro de outro, apago para liberar espaço, instalo um terceiro e termino a noite sem saber qual realmente queria jogar.
Parece exagero, mas a abundância também cansa.
Isso não tira o valor do serviço. Pelo contrário. O Game Pass permite conhecer gêneros que eu provavelmente não compraria, dá uma segunda chance para jogos que passaram despercebidos e coloca lançamentos grandes ao alcance de mais pessoas.
Gears of War: E-Day chegando no primeiro dia é um bom exemplo do peso que esse modelo ganhou.
O que precisa mudar é a forma como eu uso a biblioteca.
Em vez de tratar o catálogo como buffet, estou tentando escolher um jogo principal e, no máximo, um mais leve para alternar. Parece regra boba, mas evita aquela rotação infinita de downloads.
Também quero parar de pensar que preciso “aproveitar a assinatura” jogando tudo. Se eu encontrei um título bom e passei horas me divertindo, ela já cumpriu o papel.
Videogame não é concurso de quantidade.
Não importa quantos jogos estão instalados, quantas conquistas foram liberadas ou quantos créditos finais apareceram. O que fica é a experiência que realmente prendeu a atenção.
O Game Pass resolveu o acesso.
Agora eu preciso resolver a ansiedade de escolha.
Se você também passa mais tempo olhando o catálogo do que jogando, chega mais perto da fogueira. Pelo menos não estou sozinho nessa. Kkkkk.

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