1% dos jogos concentra 84,5% da receita da Steam — criar ficou fácil, ser encontrado não
Uma análise recente de quase cem mil jogos pagos da Steam estimou que o 1% mais bem-sucedido concentra 84,5% de toda a receita.
Na outra ponta, metade dos jogos teria faturado menos de quatro mil dólares.
Os números são estimativas baseadas em avaliações, porque a Valve não publica a receita de cada título. Mesmo com essa limitação, a imagem é difícil de ignorar.
Criar um jogo ficou mais acessível.
Ser encontrado ficou brutal.
Ferramentas melhores, lojas digitais e distribuição global permitem que uma equipe pequena publique algo que antes jamais sairia de um computador pessoal.
Mas essa mesma facilidade coloca milhares de lançamentos disputando a mesma atenção.
Eu penso muito nisso porque o problema não está apenas nos games. Vídeos, músicas, textos e transmissões vivem dentro de plataformas em que publicar é simples e aparecer é raro.
Qualidade continua importante, mas não funciona sozinha.
Um bom jogo precisa de página clara, comunidade, divulgação, atualização e um pouco de sorte. Às vezes, precisa sobreviver por meses até alguém com alcance encontrá-lo.
O relatório também sugere que jogos de sandbox têm encontrado um espaço mais favorável. Faz sentido: sistemas abertos geram histórias, vídeos e comunidades por mais tempo.
Mesmo assim, seguir o gênero da vez não garante nada.
Quando todo mundo corre para a mesma oportunidade, ela deixa de ser pequena.
Esses números não deveriam impedir alguém de criar. Deveriam mudar a expectativa.
Lançar não é a linha de chegada.
Em uma loja com quase cem mil concorrentes analisados, o trabalho de ser descoberto começa muito antes do botão publicar — e continua muito depois dele.
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